CP03 – Inovação social e economias alternativas 2026

Apresentação

O GT enfoca realidades empíricas variadas, que compõem um cenário multiforme, ao Sul e ao Norte do mundo. Crises globais cíclicas têm sistematicamente reduzido a capacidade de regulação social e econômica das estruturas instituídas, gerando pauperização e desamparo, mantendo ou aumentando globalmente as brutais desigualdades que impedem uma redistribuição mais justa de recursos necessários à reprodução da vida. Portanto, iniciativas econômicas alternativas de várias origens formam o contexto multivariado a que fazemos referência, sobre o qual o GT se debruça para apreender-lhe os sentidos e as possiblidades.

Ao Norte, em especial no continente europeu, emergiram iniciativas que passaram a constituir o campo da “economia social”, que refere às atividades econômicas que buscam democracia econômica associada à promoção social, movidas pela hibridação de recursos mercantis, não mercantis e não-monetários. A economia social é formada principalmente por empresas sociais e organizações do terceiro setor, cuja finalidade não é o lucro, mas uma missão social. O conceito de “empresa social” não compete a todo o campo da economia social, mas ajuda a identificar a dinâmica empresarial que está no cerne de parte do terceiro setor.

Ao Sul, particularmente no Brasil, a economia solidária se constituiu como uma das formas de resistência dos trabalhadores ao desemprego, os quais passaram a associar-se para produzir de forma autônoma através de uma miríade de empreendimentos econômicos solidários (EES) no campo da produção, comercialização, consumo e financiamento. No caso da economia solidária, esse conjunto variado de iniciativas, por vezes, ainda está em busca de identidade institucional e de um arcabouço jurídico condizente, que não cabe no cooperativismo tradicional nem no terceiro setor. A dimensão política é o principal traço distintivo da economia solidária, que logo evidenciou seu caráter propositivo e não apenas reativo ao desemprego, sendo articuladora de instâncias políticas e de práticas em prol de um projeto societário mais justo e sustentável, articulando-se e desenvolvendo-se a partir do primeiro Fórum Social Mundial em Porto Alegre-RS, em janeiro de 2001.

Novas formas de ativismo social, político e econômico disseminaram-se sob distintas dinâmicas, diferenciando-se quanto à relação com o Estado, de articulação ou de negação, e quanto às causas sociais postas nas agendas, desde as tradicionais agendas do movimento operário e camponês até as novas pautas de gênero, étnicas, culturais e ambientais. Em comum, a valorização de processos democráticos e a experimentação ou recriação de dinâmicas e lógicas econômicas alternativas à mercantil, sejam pautadas pela cooperação e pela solidariedade que demarcaram lutas históricas dos trabalhadores e se renovaram na economia social e solidária, sejam por inovações sociais ligadas à economia criativa, colaborativa e compartilhada.
A dimensão epistemológica está presente no interesse pelas discussões que englobem o debate da colonialidade do poder e do saber, no sentido de compreender as violências estruturais com continuidade no tempo, originadas na conformação do sistema-mundo colonial/capitalista/moderno. Ou seja, estão em foco tanto experiências vinculadas às identidades culturais quanto às pautas socioeconômicas, abrangendo os debates do reconhecimento e da redistribuição. É importante ressaltar a amplitude temática do GT, pois nele também cabem estudos e relatos de experiências ligados às identidades culturais através das quais os sujeitos se reconhecem, se representam e são reconhecidos pela sociedade de entorno. Na economia solidária, a importância da cultura que marca cada experiência de associação com referências próprias é significativa, o que as faz desenvolver seus produtos, serviços e práticas dotados de singularidade e criatividade.

Cabe ressaltar ainda as inovadoras institucionalidades organizativas da economia solidária no campo do associativismo, do cooperativismo, das redes, dos fóruns e das articulações em múltiplas escalas territoriais. No campo das políticas públicas as iniciativas locais, regionais e nacionais de iniciativas governamentais e parlamentares na implementação de uma agenda de direitos relativos a estas novas formas de organização socioeconômica.
Sumariando, este GT discutirá o cooperativismo, a economia solidária e as formas emergentes de empreendedorismo individual e coletivo, além de práticas, movimentos, organizações e políticas que envolvem sua implementação em comunidades e territórios, considerando as respectivas epistemologias e saberes. Cabe também destacar o interesse nas inovações sociais geradoras de conhecimento e de soluções sustentáveis por via da participação cidadã, materializadas nas experiências em rede, substantivas e democráticas.

Coordenação

Marilia Verissimo Veronese
Marilia Verissimo Veronese (UFU)
Fabio Jose Bechara Sanchez
Fabio Jose Bechara Sanchez (UFSCAR)
Divulgação

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Notícias

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Trabalhos

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Membros

· Agnaldo dos Santos (UNESP)
· Beatriz Carrascosa von Glehn Schwenck (UFSCAR)
· Dimas de Oliveira Estevam (UNESC)
· Duarcides Ferreira Mariosa (PUCCAMPINAS)
· Fabio Jose Bechara Sanchez (UFSCAR)
· Marcelo Castañeda Araujo (UFRJ)
· Marcio Felipe Salles Medeiros (IFFARROUPILHA)
· Maria Cristina Dadalto (UFES)
· Marilia Verissimo Veronese (UFU)
· Pedro Henrique Isaac Silva (IFB)
· Renan Bernardi Kalil (INSPER)
· Sayonara de Amorim de Amorim Leal (UNB)

Comitês de Pesquisa