CP29 – Sociologia da Juventude

Apresentação

A perspectiva sociológica teve uma presença significativa desde os primeiros estudos sobre juventude no Brasil, especialmente nas décadas de 1960, evidenciada nos trabalhos de Marialice Foracchi. Com o tempo, houve um incremento nas investigações interdisciplinares, destacando uma variedade de temas e interesses que emergiram, refletindo um fenômeno complexo.

Para além de sua importância no contexto da própria constituição da Sociologia no Brasil, pode-se dizer que nos últimos anos, as transformações sociais, econômicas, culturais e políticas tornaram ainda mais relevante a análise da juventude. Como já reconhecia o sociólogo Alberto Melucci (1997), os jovens constituem a “ponta do iceberg”, pois, devido a sua localização biológica e cultural, interpretam e traduzem para o conjunto da sociedade seus principais dilemas e conflitos. No Brasil, as gerações jovens vivenciaram, em duas décadas, tanto a expansão das oportunidades de trabalho e escolaridade, em especial no acesso ao ensino superior para as camadas populares, quanto a reversão dessas tendências em períodos mais recentes, marcada pela elevação do desemprego e precarização do trabalho, aprofundamento das desigualdades e redução de investimentos públicos. Adicionalmente, também experimentaram a ampliação no acesso a tecnologias de informação e comunicação, que se mostraram limitadas no contexto da pandemia de COVID-19. Mesmo em momentos de avanços, observaram-se a persistência de altos padrões de desigualdade com significativos impactos para jovens em relação a renda, gênero, cor/raça e local de moradia, acompanhados por índices elevados de violência.

Embora não se possa estabelecer relações lineares entre conjunturas econômicas e a capacidade de ação da sociedade, as mudanças observadas estão associadas à ampliação das formas de ação coletiva e de protesto político, especialmente a partir de junho de 2013. Os jovens participaram ativamente de manifestações contra a reforma educacional no estado de São Paulo e os cortes nos orçamentos da educação, saúde e assistência social.

Após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff em 2016, emerge um acirramento político e institucional que visibilizou diversas orientações ideológicas, em especial com um fortalecimento de movimentos conservadores, incluindo entre os jovens, que passaram a desafiar a produção do conhecimento na área.

As vozes dirigidas aos jovens têm sido permeadas por ambivalências, equilibrando as preocupações com problemas sociais e a formação das novas gerações, enquanto pautas moralizadoras começaram a ganhar centralidade em diferentes instituições, afetando relações familiares e vários segmentos sociais, em especial aqueles marcados por maior vulnerabilidade. Esse cenário se configura como um retrocesso em relação a avanços legais, como o Estatuto da Juventude (2013) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990).

A análise das especificidades, demandas e necessidades da juventude, considerando os critérios sociais e históricos que estabelecem seus limites, é essencial para a compreensão das trajetórias juvenis em um contexto marcado por desigualdades múltiplas. A pesquisa sociológica deve, portanto, aprofundar-se na diversidade de formas de ser e estar dos jovens em suas diversas condições sociais e identidades.

Coordenação

Maria Carla Corrochano
Maria Carla Corrochano (UFSCAR)
Ricardo Gonçalves Severo
Ricardo Gonçalves Severo (FURG)
Frank Nilton Marcon
Frank Nilton Marcon (UFS)
Divulgação

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Notícias

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Trabalhos

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Membros

· Aparecida Neri de Souza (UNICAMP)
· Bruna Rossi Koerich (PUCRS)
· Camila Holanda Marinho (UECE)
· Christiane Machado Coêlho (UNB)
· Danilo de Souza Morais (UNIARARAS)
· Dijaci David de Oliveira (UFG)
· Dirce Zan Pacheco (UNICAMP)
· Doriam Luis Borges de Melo (UERJ)
· Elisa Guaraná de Castro (UFRRJ)
· Frank Nilton Marcon (UFS)
· Jamile Silva Guimarães (UFMG)
· Jesus Marmanillo Pereira (UFPB)
· Leandro Rogério Pinheiro (UFRGS)
· Liana de Paula (UNIFESP)
· Luana Motta (UFSCAR)
· Lucélia de Moraes Braga Bassalo (UEPA)
· Maria Carla Corrochano (UFSCAR)
· Melissa de Mattos Pimenta (UFRGS)
· Naiara Gracia Tibola (UNIVALI)
· Paulo Sergio de Andrade Bareicha (UNB)
· Ricardo Gonçalves Severo (FURG)
· Ruy de Deus e Mello Neto (UFC)
· Tom Dwyer (UNICAMP)
· Tulio Cunha Rossi (UFU)
· Wivian Weller (UNB)

Comitês de Pesquisa