CP12 – Sociologia da Ciência e da Tecnologia 2026
Apresentação
Os estudos que têm a ciência e a tecnologia como objeto de pesquisa e reflexão teórica gozam de uma longa tradição nas ciências sociais, em particular na Sociologia, Antropologia e Ciência Política, além de contarem, hoje, com a colaboração importante do campo interdisciplinar dos denominados estudos em ciência, tecnologia e sociedade (CTS). Tais estudos problematizaram uma infinidade de aspectos da produção, circulação e impactos de ciência e tecnologia, ressaltando a do desenvolvimento. No caso das tradicionais disciplinas das ciências sociais, a sociologia da ciência e da tecnologia constitui um dos subcampos mais consolidados da área. Estes estudos priorizam a dimensão interna da produção da ciência, como valores, práticas e hierarquias envolvidos na atividade científica, e a dimensão externa, no que tange à circulação do conhecimento, suas controvérsias públicas e seu impacto transformador nas sociedades contemporâneas, incluído aí o tema do desenvolvimento social e econômico. Destacam-se estudos de controvérsias científicas, estudos sobre a história da ciência na dimensão macro, ciência e estado, legitimação de expertises científica em cortes de justiça, governos e empresas, perda de confiança na ciência, gênero e ciência, hierarquias e dinâmicas internas, entre outros.
A sociologia da ciência teve uma atualização nos últimos quarenta anos, tornando-se agora interessada no próprio estudo do conteúdo do conhecimento, inserindo nas novas abordagens uma dinâmica mais interdisciplinar e transdisplinar. O método etnográfico passou a ser usado para compreender a ciência como uma subcultura moderna, com suas práticas, valores e crenças específicas. Assim, o laboratório, em geral os de ciências naturais e exatas, é o lugar privilegiado para estes estudos, que enfatizavam o caráter ordinário, idiossincrático e mundano das práticas científicas.
Concomitantemente, a sociologia da ciência sempre teve um renovado interesse no debate sobre políticas de ciência, tecnologia e inovação. Este debate envolve uma longa tradição de investigação sobre processos de elaboração, implementação e avaliação de políticas públicas para área, bem como dos efeitos socioeconômicos dessas políticas. Dessa problemática surgem os estudos pioneiros do assim chamado pensamento latino-americano em ciência, tecnologia e sociedade (PLACTS). Tais estudos passaram por diversas fases e basearam-se nas mais variadas vertentes teóricas e modelos empíricos, como a teoria da dependência, estudos geopolíticos, abordagens neo-schumpeterianas e da economia solidária, no sentido de compreender temas como a dependência tecnológica, sistemas locais de inovação, política pública em ciência e tecnologia e inovação, inovação social, tecnologia social, entre outros.
No Brasil, o campo da sociologia da ciência se encontra em desenvolvimento pelo menos desde a década de 1970, repercutindo os avanços teóricos e empíricos realizados em contexto estrangeiro, mas também criando uma tradição em determinadas áreas e temas de interesse e aderência nacional. De forma não exaustiva, destacamos políticas de ciência, tecnologia e inovação; tecnologias sociais; gênero, ciência e tecnologia; entendimento público e comunicação das ciências e tecnologia; participação e governança das ciências e tecnologias; ciências, tecnologias e meio ambiente; ciências, tecnologias e relações Norte/ Sul global e centro/periferia e ontologias da ciência e da tecnologia.
O presente comitê propõe tratar de forma interdisciplinar o tema da ciência, tecnologia e sociedade, buscando oferecer um espaço de diálogo entre pesquisadores que tenham como objeto de pesquisa o conhecimento científico e a tecnologia em seu enraizamento político e social e seus efeitos em múltiplos âmbitos, inclusive no desenvolvimento em sentido amplo.
Coordenação
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Membros
· Agnaldo dos Santos (UNESP)
· Alice Rangel de Paiva Abreu (UFRJ)
· Anete Brito Leal Ivo (UCSAL)
· Carlos Henrique Lemes da Silva (UNESP)
· Daniela Alves de Alves (UFV)
· Daniel Coelho de Oliveira (UNIMONTES)
· Duarcides Ferreira Mariosa (PUCCAMPINAS)
· Fabricio Monteiro Neves (UNB)
· Fernanda Santos Lima (UNB)
· Jair de Souza Ramos (UFF)
· Joaquim Antonildo Pinho Pinheiro (UNB)
· Leandro Raizer (UFRGS)
· Marcio Felipe Salles Medeiros (IFFARROUPILHA)
· Marco Antônio Gaverio (FIOCRUZ)
· Maria Cristina Dadalto (UFES)
· Matheus Almeida Pereira Ribeiro (UNB)
· Sayonara de Amorim de Amorim Leal (UNB)
· Tiago Ribeiro Duarte (UNB)
· Veridiana Domingos Cordeiro (USP)
