CP10 – Sociologia Econômica 2026
Apresentação
A submissão deste Comitê de Pesquisa no âmbito da SBS justifica-se pela possibilidade de conferir maior visibilidade à crescente produção científica da Sociologia Econômica no país, mas também incentivar jovens pesquisadores – em formação em diversos programas de pós-graduação – a contribuir para o entendimento das transformações socioeconômicas no país e no mundo, na atual fase de desenvolvimento capitalista. Ademais, acredita-se que a especificidade da proposta pode contribuir para a diversificação temática das ciências sociais no Brasil, avançando na produção científica nacional de uma área de pesquisa já consolidada, e que vem incorporando novas gerações de pesquisadores brasileiros. Neste sentido, a continuidade da proposta concretiza uma área de estudos que desfruta de visibilidade e relevância no debate internacional e nacional.
Aqui vale destacar que o então GT de Sociologia Econômica na SBS vinha ocorrendo sistematicamente desde a edição de 2009, no Rio de Janeiro; assim já completou 10 anos de existência. Em seu histórico, o GT contou com pesquisadores ligados a grupos de pesquisa de diversas instituições do país.
Portanto, é importante ressaltar o caráter geograficamente plural deste grupo, que tem conseguido abarcar trabalhos produzidos em diferentes centros de pesquisa e sob diferentes perspectivas teórico-metodológicas. Assim, a continuidade da proposta como Comitê de Pesquisa pretende aprofundar a consolidação, ampliação e diversificação desse ambiente privilegiado de interlocução dos participantes da rede, legitimando uma área de estudos que desfruta de visibilidade e relevância no debate acadêmico em âmbitos nacional e internacional.
A agenda de investigações construída a partir da Nova Sociologia Econômica (NSE) trouxe para a Sociologia contemporânea o debate a respeito da construção social do mercado (desenvolvido por diversos autores, como Pierre Bourdieu, Viviana Zelizer, Mark Granovetter, Neil Fligstein, Philippe Steiner, entre outros) e da imbricação (embeddedness) do econômico no social, indicando uma trilha de investigação sociológica da vida econômica e consolidando uma perspectiva estrutural centrada na análise de redes sociais. Tais estudos abriram a possibilidade para um diálogo crítico com economistas interessados na abordagem do papel das instituições na vida econômica e se articularam com uma série de perspectivas (estudos culturais, neoinstitucionalismo, economia política, etc.) no sentido de conferir maior sofisticação à análise sociológica da vida econômica e incorporar os clássicos ao dia a dia da disciplina. Essa aproximação deu origem, ademais, a investigações mais detidas sobre as funções normativas do conhecimento econômico na vida social, em particular no que respeita aos enfoques acerca dos dispositivos de mercado e da performatividade.
A Sociologia Econômica é, assim, essencialmente, interdisciplinar, uma vez que recorre a alguns dos principais clássicos do pensamento social (Marx, Weber, Durkheim, Simmel, Polanyi, etc.) para realçar a natureza social dos fenômenos econômicos e distanciar-se, em algum grau, das interpretações que reduzem o sentido das motivações econômicas exclusivamente à racionalidade da ação individual. Ademais, o desenvolvimento do campo da Sociologia Econômica ampliou o leque de temas de pesquisa, passando a incluir possibilidades investigativas, tais como mercados e suas instituições (financeiros, agroalimentares, de bens culturais, de trabalho, dentre outros, e o papel do Estado, finanças, agências reguladoras, agentes sociopolíticos e empresariais); relação entre sistemas de produção e territórios/nações (mecanismos de governança, atração de investimentos, relações interfirmas, práticas de contestação, papel dos agentes políticos); e processos de inovação econômica (redes de geração, mecanismos de difusão e práticas de uso de bens e serviços).
Neste Comitê de Pesquisa visamos reunir trabalhos e pesquisadores que buscam integrar o rigor à inovação metodológica, independentemente das perspectivas teóricas e objetos empíricos privilegiados. A expectativa de renovação desta comunidade como Comitê de Pesquisa diz respeito, assim, à promoção e difusão de técnicas de investigação e abordagens metodológicas sofisticadas especificamente voltadas à análise dos processos implicados na produção e reprodução de atividades econômicas. A presente proposta para o Comitê de Pesquisa Sociologia Econômica busca abrigar subtemas de pesquisa emergentes e já consolidados, enfocando, primeiramente, as discussões sobre mercados e suas instituições, elementos que assumem posição privilegiada no conhecimento da vida econômica nas sociedades contemporâneas. As trocas em mercados são centrais no capitalismo, envolvendo não apenas a disputa pelo preço (na racionalidade econômica, tenderia ao equilíbrio), mas também transações entre agentes que se movem por mapas cognitivos, por interesses imersos em relações sociais e por garantias governamentais, desfazendo-se a ideia de que se trata de um espaço de trocas impessoais. A proposta é explorar os condicionantes socioculturais e político-institucionais, bem como o papel do Estado, implicados na formação, estabilização e transformação de mercados.
Um segundo subtema em ascensão na Sociologia Econômica envolve o debate acerca dos sistemas transnacionais de produção e sua operação nas diferentes escalas da ação social, cruciais na análise dos limites e possibilidades de crescimento econômico e da forma de integração do país a processos econômicos globais. Ao contrário das suposições sobre uma suposta convergência institucional no processo de globalização econômica, estudos sobre o tema têm contribuído para revelar a diversidade de trajetórias de empresas e territórios no processo de inserção em cadeias globais de valor ou em redes globais de produção.
Por fim, o subtema conhecimento e tecnologia se encontra em ascensão, se articulando a debates sobre inovação e redes de colaboração, crescimento econômico e desenvolvimento territorial, assim como a dinâmicas normativas na conformação de políticas públicas. Nesse âmbito, contribuições oriundas dos estudos sociais de ciência e tecnologia e a adoção de enfoques centrados em dispositivos tecnológicos e na performatividade do conhecimento em ciências econômicas e campos correlatos têm apontado para a complexidade, caráter mediado e morfologia de rede das relações sociais de tipo econômico.
Coordenação
Membros
· Agnes Martha da Silva (UFRGS)
· Ana Lúcia Barbosa Faria (CEFETMG)
· Ana Paula Hey (USP)
· Antonia de Lourdes Colbari (UFES)
· Barbara Michele Amorim (UFSC)
· Bruno Barreiros (UFBA)
· Camila Lago Braga (UFS)
· Carolina Alvim de Oliveira Freitas (USP)
· Cristiano Fonseca Monteiro (UFF)
· Daniel de Oliveira Cunha (USP)
· Daniel Gustavo Mocelin (UFRGS)
· Dimas de Oliveira Estevam (UNESC)
· Dimitri Fazito de Almeida Rezende (UFMG)
· Elaine da Silveira Leite (UFPEL)
· Elio de Jesus Pantoja Alves (UFMA)
· Felipe Luz Colome (IFPA)
· Felipe Rangel Martins (UFSCAR)
· Gekbede Dantas Targino (IFPB)
· Helson Flávio da Silva Sobrinho (UFAL)
· James Washington Alves dos Santos (IFAL)
· João Assis Dulci (UFJF)
· Karina Assis (UFSCAR)
· Marcelo Domingos Sampaio Carneiro (UFMA)
· Marcia da Silva Mazon (UFSC)
· Natalia Monzón Montebello (PUCSP)
· Patrícia Saltorato (UFSCAR)
· Paulo Niederle (UFRGS)
· Raimundo Pereira (UEPA)
· Raphael Jonathas da Costa Lima (UFF)
· Rodrigo Cantu (UFPEL)
· Roseane Barcellos Marques (FGV-EAESP)
· Sandro Ruduit Garcia (UFRGS)
· Sergio Pereira Leite (UFRRJ)
· Thais Joi Martins (UFRB)
· Thiago Willy Serafim Silva (UFRJ)
